O Perigo da procura de informações sobre saúde online

Procurar informações na internet acerca dos mais variados tipos de temas, já é parte integrante do dia a dia de qualquer pessoa. No entanto, particularmente quando o assunto é saúde, é necessário ter cuidados redobrados e não acreditar em tudo o que lê.

Numa investigação recente, que abordou o tema da pílula do dia seguinte, foram examinados websites e vídeos disponíveis no YouTube. De toda a informação disponível analisada, poucos foram os que apresentavam dados rigorosos.

perigo-procura-informacoes-sobre-saude-online

Foi feito também um teste idêntico, mas na área dos problemas cardiovasculares e chegou-se à conclusão que, dos 1.152 endereços observados, apenas 4,3% tinham informações corretas.
Entre os tópicos mais pesquisados em cardiologia, percebeu-se que a hipertensão arterial é o mais procurado. De entre os 281 vídeos sobre essa temática, somente 20 (7,1%) estavam minimamente adequados, com informações reais.

O tema “arritmia”, revelou 561 vídeos, dos quais só 18 (3,2%) tinham informações corretas. Já no caso da temática relacionada com insuficiência cardíaca, foram observados 310 vídeos, mas só 23 (7,4%) continham informação correta.

O perigo é que, em vez de clarificar os visitantes, este tipo de vídeos podem pôr em risco a saúde do cibernauta. Tudo se torna ainda mais perigoso, quando o mesmo estudo prova que a generalidade destes websites contêm informações incorretas, que podem pôr em risco a saúde das pessoas que o virem.

O “Dr. Google”

Nos dias de hoje, todos recorremos ao “Dr. Google”. E quando o tema é a nossa saúde ou a de familiares, o riscos é gigantesco, principalmente porque as informações podem ser erradas e porque os tratamentos variam de caso para caso. O que cura um doente, pode não curar outro. Existindo até a possibilidade de lhe fazer pior.

Existe hoje, quem, depois de pesquisar na web, decida por si próprio modificar o tratamento e por vezes, até o medicamento prescrito pelo médico!

Outra fatia deste tipo de pessoas, quando em dúvida, utiliza em simultâneo o tratamento do médico e o tratamento encontrado num qualquer website. Existem mesmo cibernautas que pura e simplesmente já nem procuram ajuda de um profissional e automedicam-se.

O que realmente se deve fazer

Para quem deseja saber mais sobre os seus sintomas, pode efetivamente fazê-lo, mas o aconselhado é que se efetuem as pesquisas sobre questões de saúde, como as cardiovasculares, em websites da especialidade e de fontes com credibilidade, como por exemplo o website da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.
Para além disso, o paciente tem todo o direito de levar o resultado das suas pesquisas para tirar dúvidas e debatê-las na consulta com o seu médico. Desta forma, é possível avaliarem o material encontrado e perceber se é ou não válido para o seu caso específico.
Do lado dos médicos fica a ideia de que é importante esclarecer ao máximo os seus pacientes de forma a que estes não venham para casa com dúvidas.